Reflexões diretas da NRF sobre desafios, eficiência e oportunidades para empreendedores brasileiros
Estou em mais uma edição da NRF, o maior evento de varejo do mundo, chegando à minha 11ª participação. Antes mesmo do início oficial do evento, já estou in loco, acompanhando de perto como o varejo norte-americano vem se comportando no dia a dia — nas lojas, nas operações e, principalmente, na forma como enfrenta desafios e toma decisões.
O ano começa com otimismo, como costuma acontecer. Isso é positivo e necessário para quem empreende. No entanto, faço aqui um alerta claro: 2026 será um ano delicado para o brasileiro. Há diversas questões socioeconômicas em curso que exigem atenção. Vivemos uma crise fiscal que não pode ser ignorada, ainda que nem sempre esteja em evidência no debate público. Reconhecer esse cenário não é ser pessimista — é ser responsável e estratégico.
Para os empresários da Zona Leste de São Paulo, sigo enxergando um ano de oportunidades. Eventos como a Copa do Mundo fortalecem o calendário e criam janelas importantes para o comércio. Mas essas oportunidades não se materializam sozinhas: precisam ser planejadas, organizadas e exploradas com inteligência. O calendário de 2026 será apertado e exigirá decisões mais rápidas e assertivas.
O brasileiro é resiliente. Sempre foi. Ele se adapta às mais diversas situações e encontra caminhos mesmo em cenários adversos. Ainda assim, a experiência mostra que, quando existe planejamento estratégico, enfrentar um ano delicado se torna mais viável. Planejar reduz riscos, organiza prioridades e permite agir com mais clareza.
O que mais me chama a atenção nesta edição da NRF é a eficiência operacional do varejo americano. Aqui, os desafios são reconhecidos, mas o foco está sempre na solução — nunca na reclamação. Existe uma cultura clara de resolver, ajustar e seguir em frente. Essa mentalidade faz toda a diferença nos resultados.
Por isso, minha principal recomendação é simples e direta: faça a lição de casa. Garanta o básico bem feito. Pare de gastar energia apenas reclamando ou acreditando que tudo está perdido. Observe o que funciona, adapte as boas práticas à sua realidade, respeitando seu público, seu caixa e sua visão de mercado — especialmente quando falamos de comércio local.
Como empreendedor e professor da Fundação Getulio Vargas, preciso estar atento às transformações que impactam diretamente o varejo. Um ano com eleições, Copa do Mundo e um calendário mais curto exige ação imediata. É hora de preparar equipes, estruturar campanhas, revisar processos, combater desperdícios e buscar eficiência desde já.
O ano não começa depois. Ele começa agora. Quem entende que 2026 será delicado para o brasileiro — e age desde já — atravessa esse período mais forte, mais preparado e com muito mais bagagem do que quando iniciou o ano.










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