Desassoreamento no Jardim Pantanal remove 285 mil m³ de sedimentos e integra estratégia de resiliência climática na zona leste
O Governo do Estado de São Paulo intensificou, em 2025, as ações de combate a enchentes na região do Jardim Pantanal, zona leste da capital, com foco no desassoreamento do Rio Tietê. Somente nesse trecho, já foram retirados cerca de 285 mil metros cúbicos de sedimentos, volume equivalente à carga de aproximadamente 23,7 mil caminhões basculantes.
As intervenções são coordenadas pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e pela SP Águas, com o objetivo de ampliar a capacidade de escoamento do rio e reduzir o risco de cheias em uma das áreas mais densamente urbanizadas e vulneráveis da Região Metropolitana, especialmente no período de chuvas intensas.
Investimentos no trecho Jardim Pantanal
Desde 2023, o chamado “Lote 3” – que compreende o Jardim Pantanal entre a Barragem da Penha e a foz do Córrego Três Pontes, na zona leste – já recebeu mais de R$ 103,6 milhões em investimentos.
Atualmente, o trabalho é tocado em duas frentes principais:
- uma financiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), por meio do Programa Renasce Tietê;
- outra financiada pelo BNDES, voltada à melhoria estrutural e à manutenção do canal do rio.
A SP Águas projeta a continuidade dessas ações em 2026, com novos contratos em fase de licitação para garantir melhores condições de escoamento ao longo do Tietê.
Entre 2023 e 2025, o programa IntegraTietê registrou a remoção de 4,91 milhões de metros cúbicos de resíduos do rio na Região Metropolitana de São Paulo, resultado que, segundo o governo estadual, demonstra a eficiência das operações e o reforço da agenda de prevenção a enchentes.
Jardim Pantanal: área de risco histórico
O Jardim Pantanal está localizado em uma zona conhecida como “Cinturão Meândrico”, região de curvas naturais onde o rio expande seu leito para amortecer o volume de água nos períodos de cheia.
De acordo com a Agência de Águas do Estado de São Paulo, o desassoreamento é uma ferramenta essencial para:
- melhorar o fluxo hídrico;
- reduzir o tempo de permanência das inundações;
- minimizar impactos diretos sobre as famílias que vivem no entorno.
O órgão ressalta, porém, que o desafio é estrutural e complexo, devido à ocupação histórica dessas áreas. Por isso, o Estado mantém diálogo técnico permanente com a Prefeitura de São Paulo, responsável por projetos habitacionais e iniciativas de reordenamento territorial na região do Jardim Pantanal e entorno.
Resiliência climática e PPP para Tietê e Pinheiros
Para garantir sustentabilidade e continuidade das ações ao longo dos próximos anos, o Governo paulista está modelando uma Parceria Público-Privada (PPP) inédita voltada à revitalização dos rios Tietê e Pinheiros.
Com investimento estimado em R$ 9,5 bilhões ao longo de 15 anos, a PPP deve contemplar:
- serviços modernos de remoção de lixo superficial nos cursos d’água;
- controle de vegetação aquática;
- projetos de paisagismo e requalificação das margens;
- ações que visam reaproximar a população dos rios, hoje marcados por histórico de poluição e enchentes.
A proposta é integrar infraestrutura, meio ambiente e urbanismo, fortalecendo a resiliência climática da Região Metropolitana de São Paulo e, em especial, das áreas mais vulneráveis da zona leste, como o Jardim Pantanal.
