No mês de conscientização sobre o câncer do colo do útero, o Março Lilás reforça a importância da prevenção e do cuidado contínuo com a saúde da mulher. Em São Paulo, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) vem ampliando o acesso ao exame de Papanicolau e à vacina contra o HPV, duas estratégias fundamentais para evitar o desenvolvimento da doença, que ainda é o terceiro tipo de câncer mais frequente entre as mulheres no Brasil.
Na rede municipal, o exame de Papanicolau é oferecido gratuitamente em 481 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), espalhadas por todas as regiões da cidade. Simples, rápido e eficiente, o exame – também chamado de citologia oncótica – permite identificar alterações precoces no colo do útero, antes mesmo de surgirem sintomas, possibilitando tratamento oportuno e evitando casos mais graves. Entre 2020 e 2025, foram realizados mais de 3,1 milhões de exames na capital, além de mais de 27 mil biópsias de colo de útero para investigação detalhada.
Quando alguma alteração é identificada, as mulheres são encaminhadas para a rede de atenção especializada, com atendimento de ginecologistas e outros profissionais de referência. A SMS também mantém dois Centros de Exames da Mulher, nas zonas leste e sul, que reforçam o cuidado com diagnóstico e acompanhamento das pacientes.
O câncer do colo do útero é causado principalmente pela infecção persistente pelo HPV (papilomavírus humano), vírus transmitido principalmente por contato sexual. Em grande parte dos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente, mas, quando isso não acontece, alguns subtipos podem provocar lesões que, sem acompanhamento e tratamento, podem evoluir para câncer. Por isso, a combinação entre exame preventivo e vacinação é a forma mais segura de proteção.
Entre as ações voltadas ao público feminino, destaca-se o programa Avança Saúde – Mulher, que reúne, em um mesmo dia, acolhimento, coleta de Papanicolau, encaminhamento para mamografia e ultrassonografias, testes rápidos, consultas médicas e de enfermagem, atualização vacinal, avaliação em saúde bucal, diabetes, além de orientações sobre tabagismo, consumo de álcool e saúde da pessoa idosa. Na edição de outubro de 2025, a iniciativa atendeu cerca de 33 mil pessoas em toda a cidade, reforçando a busca ativa e a aproximação dos serviços de saúde com a população.
Outra frente essencial é a vacinação contra o HPV, que alcançou, em 2025, uma cobertura inédita de mais de 95% entre adolescentes de 9 a 14 anos em São Paulo. Em 2024, a cobertura já havia sido alta, acima de 91%, bem acima dos índices registrados em anos anteriores. O avanço está diretamente ligado ao trabalho das UBSs, com ações em escolas e outros equipamentos públicos, garantindo que mais meninas e meninos sejam protegidos desde cedo. Desde 2024, o esquema vacinal para essa faixa etária passou a ser de dose única, o que facilita ainda mais o cumprimento do calendário.
A vacina contra o HPV é indicada em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos e, em caráter temporário até o primeiro semestre de 2026, também para adolescentes de 15 a 19 anos que ainda não foram vacinados na idade recomendada. Além desse público, o imunizante é indicado para pessoas entre 9 e 45 anos vítimas de violência sexual, pessoas vivendo com HIV/Aids, pacientes em uso de imunossupressores, transplantados e pacientes oncológicos, entre outros perfis específicos avaliados pelos serviços de saúde. O imunizante protege contra os tipos mais frequentes do vírus, incluindo os subtipos 16 e 18, associados ao desenvolvimento de cânceres, e os subtipos 6 e 11, responsáveis por verrugas genitais.
A vacinação contra o HPV está disponível em todas as UBSs da capital, de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, e aos sábados, no mesmo horário, nas AMAs/UBSs Integradas. Já o exame de Papanicolau pode ser agendado diretamente na UBS de referência da usuária. Para localizar a unidade mais próxima, a população pode consultar a plataforma Busca Saúde, que reúne informações atualizadas de todos os serviços da rede municipal.
Neste Março Lilás, a mensagem é clara: prevenção é cuidado, é autonomia e é garantia de mais qualidade de vida para as mulheres. Manter a vacinação em dia, realizar o exame de Papanicolau regularmente e buscar orientação na unidade de saúde diante de qualquer dúvida são atitudes simples, mas que fazem toda a diferença na luta contra o câncer do colo do útero.











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