A poucos dias das eleições, o debate econômico precisa sair dos slogans e chegar à vida real. Para quem administra um comércio, uma indústria ou uma pequena empresa, a economia aparece no custo do crédito, no preço dos insumos, na folha de pagamento e na disposição do cliente para comprar. Para as famílias, aparece no orçamento que precisa fechar até o fim do mês.
Os números mostram um país com avanços e desafios ao mesmo tempo. O Produto Interno Bruto cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, em relação aos três meses anteriores. A taxa de desocupação ficou em 5,3% no trimestre encerrado em julho. São resultados que merecem atenção, mas que, sozinhos, não descrevem as condições de todas as empresas e trabalhadores.
O crédito continua sendo uma questão decisiva. Mesmo após os cortes recentes, a taxa Selic estava em 13,75% ao ano em setembro. Juros nesse patamar entram no cálculo de quem precisa financiar estoque, comprar equipamentos, ampliar o negócio ou parcelar uma compra. A consequência é concreta: decisões de investimento exigem mais cautela e planejamento.
É nesse cenário que o eleitor deve examinar as propostas para a economia. Como os candidatos pretendem estimular o investimento e a geração de empregos? O que propõem para as contas públicas? Como vão melhorar o ambiente para empreender sem perder de vista a renda das famílias e a qualidade dos serviços públicos? Respostas vagas podem funcionar em campanha, mas não ajudam a enfrentar problemas concretos. Também precisamos olhar além da disputa presidencial. Em 4 de outubro, escolheremos governadores, deputados e dois senadores por estado, além do presidente da República.
As decisões sobre orçamento, regras para os negócios, infraestrutura e políticas públicas dependerão da atuação conjunta dos eleitos. Por isso, conhecer as propostas para o Congresso e para os estados é parte essencial do voto.
Para o empreendedor, esperar o resultado das urnas para então pensar no futuro não é uma opção. É preciso acompanhar custos, preservar o caixa, entender o cliente e preparar a equipe. Ao mesmo tempo, quem pede o voto deve mostrar como pretende criar condições para que empresas invistam, pessoas trabalhem e a economia cresça de forma sustentada. A eleição passa em outubro.
As decisões tomadas a partir dela permanecerão no cotidiano do comércio, das empresas e das famílias por muito mais tempo. Antes de votar, vale trocar a pergunta “quem promete mais?” por outra, mais útil: como cada proposta pode funcionar na prática?






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