Comemorado nesta quinta-feira (29), o Dia Mundial do Livro destaca histórias de superação no mercado editorial, como a da autora Anna Luiza Calixto, moradora de Atibaia. Ela transformou o sonho de infância em um negócio sólido à frente do Projeto Bem Me Quer, iniciativa de literatura infantojuvenil focada nos direitos de crianças e adolescentes. O crescimento e a ampliação das publicações foram possíveis graças ao apoio do Banco do Povo Paulista (BPP), programa gerido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo (SDE).
O papel do microcrédito no setor literário paulista
Em todo o estado de São Paulo, o programa estadual atua ativamente para fortalecer negócios voltados à produção e ao comércio de livros, garantindo acesso facilitado ao microcrédito. Desde 2023, mais de 1 milhão de microcréditos já foram concedidos pelo Banco do Povo a empreendedores desse segmento em 65 operações distintas.
Sobre a importância desse tipo de fomento, a escritora destaca: “A literatura infantil é imprescindível ao desenvolvimento de pensamento crítico e elaboração consciente da realidade desde a primeira infância. Por isso, linhas de crédito como a do Banco do Povo nos mantêm, como autores, em movimento e crescimento no mercado”.
Do voluntariado à consolidação da microempresa
O envolvimento de Anna com a escrita começou muito cedo, ainda na adolescência. Aos 14 anos, em 2015, ela fundou o Projeto Bem Me Quer como uma ação voluntária. Naquela época, visitou todas as 26 escolas municipais de Atibaia para debater com os alunos o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a cidadania.
Anos mais tarde, em 2018, a iniciativa evoluiu e se transformou em uma microempresa, expandindo sua atuação para oferecer palestras, formações e cursos direcionados a educadores, psicólogos, assistentes sociais e conselheiros tutelares. Hoje, o projeto realiza ações itinerantes em 14 estados do país e já acumula oito livros publicados, que funcionam como o principal canal de diálogo com os leitores.
Investimento em produção editorial e novos formatos
A busca de Anna pelo financiamento começou nas redes sociais, ao pesquisar por linhas de crédito direcionadas a mulheres empreendedoras. O montante obtido por meio do BPP foi inteiramente investido na diagramação, nas ilustrações e na impressão de obras voltadas a combater problemas como a adultização precoce e o bullying.
“Com o apoio do Banco do Povo, consegui imprimir edições lindas e alcançar um público ainda maior. Nosso livro Cresça e apareça foi o nosso primeiro produto voltado à primeira infância e, sem o financiamento, provavelmente não teria saído do papel”, relata a autora.
Para combater o uso excessivo de telas e cativar o público jovem, o negócio aposta na diversificação de produtos, incluindo e-books, contações de histórias e palestras educativas.
“O verdadeiro desafio é a necessidade contínua de inovação no modo como nos comunicamos e estimulamos o público infantojuvenil ao hábito da leitura, ainda mais com temas tão desafiadores como a violência sexual e o trabalho infantil”, pontua.
Com novos horizontes traçados, a empreendedora planeja ampliar o catálogo com obras inéditas sobre os direitos infantojuvenis e criar uma mentoria voltada a novos escritores. Para ela, o suporte financeiro institucional é fundamental: “Iniciativas de apoio financeiro a empreendedores do setor literário são uma verdadeira injeção de ânimo num mercado que se reinventa diariamente para não perder contato com um novo público consumidor que é exigente e precisa de estímulos em linguagens diversas”.
Fonte: Agência SP










