Na Periferia, Copa Vira Motor de Consumo

Agência de impacto propõe novo caminho para marcas investirem onde o evento realmente acontece

Enquanto grandes marcas disputam atenção na mídia tradicional durante a Copa do Mundo, um movimento paralelo ganha força fora dos holofotes. É nas periferias que o evento alcança escala real, movimentando o consumo, reunindo comunidades e gerando ativações espontâneas nas ruas — sem que a publicidade convencional perceba.

Dados do Data Favela mostram que mais de 80% dos moradores de favelas acompanham os jogos, e cerca de 70% pretendem consumir durante o período. O impacto chega direto ao varejo: nos dias de partida, as vendas de alimentos e bebidas crescem até 50%. Para além dos números, o Instituto Locomotiva aponta que até 80% desse consumo circula dentro das próprias comunidades, fortalecendo o comércio local e aquecendo a economia do território.

É nesse cenário que a Ponte, agência de impacto nascida na periferia, propõe uma virada no olhar da publicidade tradicional. A agência defende que a Copa não está só na tela — ela acontece nas ruas, nas lajes, nos bares lotados e nas calçadas decoradas. A proposta é direcionar investimentos de marcas para ativações territoriais conectadas à cultura local, como decoração de ruas, intervenções artísticas, apoio a comércios e experiências comunitárias.

Para o fundador da Ponte, Lucas Felipe, o maior erro das marcas é ignorar onde o consumo realmente acontece. “A periferia não é só audiência, é onde o dinheiro gira e onde a Copa ganha vida. Enquanto muita marca disputa espaço na TV, o jogo real está na rua, na laje, no bar lotado. Quem entende isso, sai na frente”, afirma.

A iniciativa busca reposicionar o papel da periferia no planejamento de mídia durante grandes eventos esportivos, defendendo que o território deixe de ser coadjuvante e passe a ser protagonista nas estratégias das marcas.

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