Quando pensamos na arquitetura de uma cidade, é comum lembrar de grandes edifícios, monumentos ou lugares que aparecem nos cartões-postais. Mas existe uma outra arquitetura, mais cotidiana, que talvez conte ainda mais sobre quem somos: aquela das casas, das vilas, dos pequenos comércios, das escolas, das igrejas, das fábricas, dos conjuntos habitacionais e das praças que encontramos pelo caminho. Na Zona Leste de São Paulo, basta caminhar pelas ruas para perceber que a paisagem é também uma espécie de livro aberto. Um exemplo disso está no próprio Senac Itaquera. Inserido nesse território, o espaço também faz parte dessa paisagem que se transforma eganha novos significados ao longo do tempo. Mais do que um lugar de formação profissional, a unidade se relaciona com a comunidade e com as histórias que atravessam Itaquera, mostrando que os espaços de educação também podem participar da construção da identidadede um território.
Cada construção carrega marcas de diferentes momentos e revela um pouco das transformações vividas por quem mora e trabalha aqui. Uma casa que ganhou um comércio na garagem, uma construção que passou por ampliações ao longo dos anos, uma antiga fábrica quedeixou de ter sua função original ou um conjunto habitacional que cresceu junto com seu entorno são exemplos de como a arquitetura acompanha as necessidades das pessoas. Os espaços mudam porque a vida muda. A Zona Leste também é feita de contrastes. Há bairros com diferentes formas de ocupação, construções antigas convivendo com edifícios recentes e espaços que foram sendo transformados conforme novas necessidades surgiram. Mais do que uma questão estética, essasmudanças contam histórias sobre trabalho, moradia, desenvolvimento, deslocamento e sobre a maneira como as comunidades ocupam e transformam seus territórios. Talvez seja justamente por isso que observar a arquitetura da Zona Leste seja uma forma tão interessante de conhecer sua história. A cidade não é feita apenas por grandes projetos ou arquitetos famosos, mas também pelo cotidiano: famílias que reformam suas casas, comerciantes que adaptam seus espaços, moradores que ocupam praças e comunidades que ressignificam os lugares onde vivem. Assim, a arquitetura não conta só a história dos prédios, mas também a das pessoas, e essa é uma das riquezas da Zona Leste: por trás de cada rua, fachada ou comércio, há uma parte da história de quem construiu e ainda constrói a região.
Por Isabelle Gonçalves Oracio
Agente Técnico Administrativo no Senac Itaquera.











Discusão sobre post