Em resposta à intensificação dos episódios meteorológicos severos e aos reflexos do fenômeno El Niño, o Governo de São Paulo estruturou uma ampla mobilização voltada à adaptação dos municípios paulistas. Desenvolvido sob a coordenação da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (SEMIL), o Plano Estadual de Resiliência às Mudanças Climáticas (PEARC) estabelece 181 iniciativas articuladas entre 50 órgãos públicos, com previsão de R$ 29 bilhões em investimentos até 2029.
“São Paulo foi pioneiro ao incorporar o monitoramento da adaptação às mudanças climáticas ao planejamento de longo prazo do Estado, por meio do PEARC. Esse plano é um instrumento estratégico para orientar e acompanhar as ações necessárias à redução das vulnerabilidades e ao fortalecimento da resiliência do território paulista”, afirmou a secretária de Estado de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.
Infraestrutura hídrica e controle de inundações
Grande parte dos recursos está voltada a mitigar os impactos de temporais e assegurar o fornecimento de água. Para conter alagamentos e deslizamentos, já foram direcionados mais de R$ 1 bilhão para a implantação de piscinões, além de R$ 1,7 bilhão em serviços de desassoreamento de rios e córregos, viabilizados por meio dos programas IntegraTietê e Rios Vivos.
No segmento de segurança hídrica, destacam-se a construção das barragens de Pedreira e Amparo — que somam R$ 1,7 bilhão em investimentos para garantir o abastecimento de 5,5 milhões de cidadãos — e um aporte de R$ 9 bilhões executado pela Sabesp para redução de perdas na rede e expansão dos sistemas hídricos.
Enfrentamento a queimadas e ondas de calor
O PEARC também atua diretamente contra o fogo e os períodos prolongados de seca. No âmbito do programa São Paulo Sem Fogo, são 36 diretrizes de preservação e resposta operacional. Somente em 2026, as estratégias preventivas na época de estiagem receberam mais de R$ 400 milhões, o que ajudou o estado a atingir o índice histórico de apenas 45 focos de calor em setembro, a menor taxa para o período desde 1998.
Para atenuar os efeitos das altas temperaturas e da baixa umidade nas cidades, o plano prevê a expansão de áreas verdes, o plantio de miniflorestas em perímetros urbanos, iniciativas contínuas de conscientização ambiental e protocolos especiais para atender a população em dias de calor severo.
Integração setorial e cooperação internacional
Concebido em colaboração com a Agência de Cooperação Técnica Alemã (GIZ) e alinhado ao programa estadual São Paulo Sempre Alerta, o pacote de resiliência acolheu apontamentos do Conselho Estadual de Mudanças Climáticas (CEMC).
“Entre os temas destacados, estão o fortalecimento do apoio à agenda climática local, novas soluções tecnológicas para gestão de riscos, o aprofundamento das medidas nas áreas urbanas e saúde, especialmente diante das ondas de calor, e a atenção às questões de segurança hídrica”, explicou Marina Balestero, coordenadora da Assessoria de Mudanças Climáticas da Semil.
Medidas transversais
Além das frentes de infraestrutura pesada, o plano estabelece ações interdisciplinares que abrangem a instalação de climatização nas escolas estaduais, a remoção e reassentamento de famílias que habitam áreas de risco geológico, projetos de suporte à atividade agrícola, adaptação de rodovias e pesquisas sobre os reflexos do estresse térmico na saúde pública.
“O objetivo é fortalecer a proteção da população, reduzir vulnerabilidades e preservar a infraestrutura e os serviços essenciais, consolidando uma atuação permanente que combina investimentos estruturantes com preparação e resposta aos eventos climáticos extremos”, destacou o secretário-chefe da Casa Militar e coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, Coronel PM Araújo Monteiro.











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