O esporte como política pública figura nos programas dos dois candidatos que disputam o segundo turno da Presidência da República. Enquanto ambos relacionam a área à educação, as divergências se acentuam nas propostas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ligadas à infraestrutura e na abordagem direcionada ao esporte feminino.
Visões sobre cidadania e esporte
Os dois postulantes associam o esporte à cidadania a partir de premissas distintas. Flávio Bolsonaro enfatiza a ligação com a educação e a segurança juvenil, tratando a modalidade como ferramenta ou meio para atingir tal finalidade.
“Preparar uma família para a vida (…) envolve o esporte, que tira o jovem da rua e ensina o que a sala de aula sozinha não ensina. Tudo isso faz parte do que é necessário para uma família subir na vida pelo próprio esforço”, diz o programa do candidato do PL.
De forma semelhante, Lula enxerga o esporte como elemento relevante para os jovens, equiparando-o ao acesso à educação, ao lazer, à cultura e às oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional. No entanto, a proposta petista atribui ao setor a condição de vetor de transformação social e expressão cultural, definindo-o como um “instrumento de desenvolvimento humano, inclusão social e dinamização” de maneira análoga à cultura.
O plano de Lula também confere importância ao aspecto econômico, integrando a modalidade às indústrias criativas e priorizando-a no próximo mandato.
“Queremos um país que reconheça a cultura, a economia criativa, e o esporte como forças estratégicas do desenvolvimento nacional, capazes de gerar trabalho, renda, inovação, pertencimento, qualidade de vida e desenvolvimento em todos os territórios brasileiros”, destaca o programa.
Educação e escolas
Flávio Bolsonaro destaca a relação entre esporte e educação, equiparando a área às artes e à literatura dentro da educação integral. Ele propõe a abertura de escolas nos recessos por meio do programa Escola nas Férias para evitar a ociosidade infantil, embora não detalhe a adesão ou a execução prática.
O candidato do PL acrescenta que “O esporte é uma das ferramentas mais poderosas que existem para formar um jovem, e uma das mais desperdiçadas pelo poder público. Ele ensina disciplina, resiliência, trabalho em equipe e mérito, tira a criança da rua e do celular, dá saúde ao corpo e à mente e, para alguns, abre a porta de uma profissão. Nós tratamos o esporte como o que ele é: instrumento de liberdade individual, disciplina, superação e oportunidade real, com foco na formação de caráter e na saúde mental do jovem.”
Em contrapartida, o plano de Lula não vincula diretamente o espaço escolar às políticas esportivas juvenis, mas propõe a criação da Universidade do Esporte, já aprovada na Câmara. A instituição visa estabelecer uma rede nacional de pesquisa, inovação e tecnologia para formar quadros técnicos e aprimorar a gestão do alto rendimento.
Infraestrutura e gestão de equipamentos
Lula destaca ações anteriores de seu mandato, citando investimentos do Novo PAC na construção de centros esportivos em centenas de municípios, a continuidade das unidades do Arena Brasil e a gestão direta de equipamentos em parceria com estados, municípios, ONGs e projetos sociais. A visão do candidato restringe privatizações a setores de grande complexidade técnica, como energia e infraestrutura.
Por outro lado, as propostas de Flávio Bolsonaro para o alto rendimento priorizam parcerias com a iniciativa privada, patrocínios de clubes e universidades, e editais de fomento à tecnologia para confederações. Para ampliar o alcance nas escolas, o candidato aposta em parcerias público-privadas voltadas ao esporte competitivo, contraturnos e competições escolares para combater a evasão.
Esporte feminino e bolsas
No esporte feminino, o plano do PL menciona apenas a exclusão de atletas transexuais, sem citar a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027 no Brasil ou o programa Bolsa Atleta. O candidato aborda apenas o aperfeiçoamento de bolsas para atletas de alto rendimento com apoio da iniciativa privada.
Já o programa de Lula coloca as mulheres como protagonistas, com destaque para investimentos visando o sucesso da Copa do Mundo Feminina em oito capitais e o fomento ao turismo. O plano petista também dá continuidade às políticas estruturantes do período 2023-2026, que incluiu o reajuste do Bolsa Atleta para um patamar histórico de 11 mil beneficiados.
Fonte: Agência Brasil - EBC






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