O Palácio Itamaraty publicou uma nota oficial de repúdio contra as recentes declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, que voltou a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e insinuou a possibilidade de fraude no pleito que define o segundo turno no próximo domingo (25). Aliado da família Bolsonaro, o líder argentino utilizou plataformas digitais para proferir ofensas direcionadas ao mandatário brasileiro.
Reação do governo brasileiro
A manifestação do Ministério das Relações Exteriores classificou a postura argentina como uma interferência indevida na soberania nacional. “As ofensas de hoje do Presidente da República Argentina ao Brasil, desta vez dirigidas ao Poder Judiciário e ao sistema de voto eletrônico, constituem nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”, afirmou a pasta das Relações Exteriores.
A crise escalou após postagens de Milei na rede social X, onde o chefe de Estado argentino comentou uma entrevista concedida por Lula e compartilhou trechos de um debate político recente, proferindo ataques diretos e chamando o brasileiro de “autoritário adorado pelos progressistas locais”.
Defesa das urnas eletrônicas
O texto oficial do governo brasileiro também rebateu as teorias conspiratórias compartilhadas pelo líder do país vizinho. Na nota, o Itamaraty aponta que Milei “reitera mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado, há quatro anos”. “Essa antidemocrática manifestação é inaceitável, desequilibrada, e não condiz com a postura que deve ter o chefe de Estado de um país amigo”.
Reforçando a credibilidade do processo democrático, o comunicado ressaltou que “o sistema brasileiro de voto eletrônico é comprovadamente seguro, nunca registrou irregularidades e observadores eleitorais do mundo inteiro já ratificaram essa realidade no primeiro turno das eleições”. O documento encerra enfatizando que “A decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro, que se manifestará livremente nas urnas, e sem qualquer tipo de ingerência externa, no domingo, dia 25”.
Crise diplomática e impacto comercial
O atrito constante entre as administrações provocou o rebaixamento dos laços diplomáticos entre Brasília e Buenos Aires. Desde agosto, o governo brasileiro retirou seu embaixador da Argentina e exigiu a saída do representante argentino da capital federal, sendo a representação local atualmente exercida por um Encarregado de Negócios.
A ruptura teve início em julho, quando o embaixador brasileiro foi chamado de volta após xingamentos desferidos por Milei em um evento político que contou com a presença de Flávio Bolsonaro, ocasião em que o argentino insultou Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Apesar da forte tensão política e diplomática, o Brasil continua sendo o principal parceiro comercial da Argentina. As duas nações integram o Mercosul e mantêm uma forte integração econômica, especialmente nos ramos industrial e automotivo, sustentada por séculos de laços diplomáticos.
Fonte: Agência Brasil - EBC











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