Uma nova ferramenta digital busca conectar iniciativas de bioeconomia em nove países sul-americanos para superar a fragmentação de ações e impulsionar o desenvolvimento sustentável da região amazônica.
O lançamento da ferramenta A plataforma Radar Bioecon foi lançada nesta quinta-feira (22) para centralizar informações sobre instrumentos estatais voltados a atividades econômicas baseadas na biodiversidade. O lançamento ocorre durante a 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP17), realizada em Yerevan, na Armênia.
O mapeamento abrange Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. A tecnologia cataloga estratégias nacionais, linhas de crédito, compras públicas e incentivos voltados a empreendimentos comunitários, permitindo comparações para estimular a cooperação regional.
O peso econômico da floresta em pé Atividades ligadas à conservação e aos saberes tradicionais já movimentam bilhões de dólares na região. Na Amazônia Legal brasileira, apenas 13 itens da sociobiodiversidade — como açaí e castanha — injetam pelo menos R$ 12 bilhões anuais no Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do estudo Nova Economia da Amazônia.
No entanto, especialistas alertam que a abundância de recursos esbarra na ausência de integração governamental, na burocracia e em barreiras para obtenção de crédito. Um levantamento associado identificou 141 mecanismos financeiros na área, mas apenas 8,5% chegam de fato aos negócios da sociobiodiversidade.
Visão de longo prazo “Para que a bioeconomia se consolide como uma alternativa de desenvolvimento econômico para a Pan-Amazônia, precisamos tratá-la como uma agenda de Estado, com planejamento de longo prazo e continuidade das políticas públicas”, defende Juliana Simões, co-líder do Grupo de Trabalho de Políticas Públicas da Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia e especialista em políticas públicas e bioeconomia na organização The Nature Conservancy (TNC) Brasil.
A especialista reforça que os recursos precisam alcançar associações e cooperativas locais. O estudo também aponta que iniciativas dispersas aparecem sob diferentes nomenclaturas, como bionegócios, biocomércio, empreendedorismo verde ou economias comunitárias e indígenas.
Integração entre nações vizinhas No Brasil, o mapeamento destaca programas como o PAA, o Pnae e o PGPMBio, este último com preços mínimos para 17 produtos extrativistas. A Colômbia apresenta apoios a negócios sustentáveis, enquanto o Equador exibe opções de crédito voltadas a cooperativas.
“Essa visão regional é importante para fortalecer a cooperação entre os países e construir políticas que tenham continuidade no longo prazo, contribuindo para consolidar a bioeconomia como uma agenda estratégica de desenvolvimento”, afirma Bruno Castro Lacerda, co-líder do grupo de trabalho da Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia e consultor em bioeconomia para a conservação na organização Conservação Internacional.
Próximos passos Desenvolvida pelo Grupo de Trabalho de Políticas Públicas da Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia, a interface digital aceitará sugestões de inclusão e atualizações por parte dos usuários, sujeitas a curadoria prévia. O projeto representa o passo inicial para sanar deficiências de execução e estimular parcerias transnacionais.
Fonte: Agência Brasil - EBC











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