O segundo turno das eleições no Rio de Janeiro transcorre de forma tranquila. Apesar da chuva registrada no começo do período de votação, diversos eleitores já formavam filas longas antes mesmo da abertura das seções. O comparecimento chamou atenção entre a população com mais de 70 anos, faixa etária em que o voto deixa de ser obrigatório e passa a ser facultativo.
Desafios de acessibilidade no Méier
No Instituto São João Batista (ISJOB), situado no bairro do Méier, na zona norte da cidade, o fluxo de eleitores idosos foi intenso. O cenário exigiu esforço físico, visto que o colégio eleitoral possui três pavimentos e não conta com elevadores, dispondo apenas de escadas para o acesso aos locais de votação.
Entre os participantes estava o professor universitário aposentado Carlos Peixoto, de 81 anos. Ele passou por uma cirurgia de câncer de bexiga há apenas dez dias e, mesmo enfrentando complicações recentes na recuperação que exigiram um retorno breve ao hospital após a alta, fez questão de comparecer à sua seção.
Ainda carregando os pontos do procedimento cirúrgico, o docente caminhou sozinho de sua residência até o local de votação e justificou a decisão afirmando que “não poderia deixar de votar”.
“Eu votei a minha vida toda e, num momento tão importante como este, eu não poderia ficar de fora.”
Peixoto relatou que o processo em sua seção levou menos de 30 segundos devido à ausência de filas. Ele ressaltou ainda que, caso houvesse aglomeração, faria uso do atendimento preferencial: “Mas, se estivesse cheia, eu iria usar o direito à prioridade e passaria na frente.”
Tradições e trabalho no domingo de eleição
Outro cidadão que marcou presença no instituto foi o jornaleiro Chico Spinelli, aniversariante do dia em que completa 68 anos. Para conciliar o pleito com as comemorações, a celebração em família com um churrasco ocorreu antecipadamente no sábado, já que o domingo seria dedicado às urnas e ao trabalho.
“Eu saí de casa para votar logo cedo e depois vou abrir a banca de jornal, coisa que já não faço mais há algum tempo.” Sobre o procedimento na cabine de votação, Spinelli comentou que foi muito ágil “e que ele tinha que exercer o seu direito de voto para ajudar o seu candidato.”
Com mais de quatro décadas de profissão, o jornaleiro seguiu direto para seu estabelecimento, localizado no Méier. Embora não costume abrir a banca aos domingos, ele abriu uma exceção para interagir com os clientes, vender publicações e comercializar, além de jornais e revistas, “um cafezinho para a turma”.
“Dessa forma eu esqueço um pouco da eleição e fico mais tranquilo, mas não deixo de tomar o meu remédio para pressão diariamente.”
Transporte público sem custo
Para incentivar a participação popular e garantir o acesso aos locais de votação, a mobilidade urbana na capital contou com facilidades. Os ônibus municipais operam com passe livre até o encerramento do pleito. O mesmo benefício é aplicado no sistema de metrô até as 20h, além das linhas de barcas que realizam a ligação entre a capital e Niterói, além das rotas para a Praça XV-Cocotá e a Ilha de Paquetá.
Fonte: Agência Brasil - EBC










