Um levantamento divulgado recentemente revelou que o ano de 2025 registrou patamares inéditos de concentração de gases do efeito estufa na atmosfera terrestre. A pesquisa aponta que o acúmulo dessas substâncias continua avançando de maneira expressiva, impulsionado principalmente pela queima contínua de combustíveis fósseis e por atividades humanas ligadas à agropecuária e à indústria.
O avanço do dióxido de carbono
O principal elemento analisado, o dióxido de carbono (CO₂), alcançou a marca de 426,8 partes por milhão (ppm) em 2025, o que representa um acréscimo de 2,8 ppm em relação ao ano anterior. Esse volume é 53% superior aos registros da era pré-industrial, fixada no período anterior a 1750. O documento destaca que metade de todas as emissões geradas pela humanidade entre 2015 e 2024 permaneceu na atmosfera, enquanto o restante foi absorvido pelos oceanos e pela terra.
Metano e óxido nitroso
Outro ponto de atenção é o metano (CH₄), cuja concentração atingiu 1.948 partes por bilhão (ppb), registrando um incremento de 6 ppb frente a 2024. Cerca de dois terços das emissões globais desse gás derivam de ações antrópicas, a exemplo da criação de gado e da decomposição de resíduos orgânicos.
Já o óxido nitroso (N₂O) chegou a 339,1 ppb, avançando 1,1 ppb em comparação ao ano anterior. Embora sua presença na atmosfera seja menor, cada molécula desse composto possui um potencial de aquecimento global cerca de 270 vezes maior do que uma molécula de dióxido de carbono. Cerca de um terço de sua origem está ligada a práticas agrícolas, como a aplicação de fertilizantes.
Impacto de outros compostos e novas fontes
Enquanto os clorofluorcarbonos (CFCs) apresentam queda em suas concentrações, o estudo alerta para a alta de substitutos industriais, como os hidroclorofluorcarbonos (HCFCs) e os hidrofluorcarbonos (HFCs). Além disso, o hexafluoreto de enxofre (SF₆), empregado pela indústria química e no setor elétrico, apresentou um volume três vezes superior ao verificado em meados da década de 1990, com uma vida útil que supera 1.900 anos na atmosfera.
Por fim, o documento acende um alerta sobre o gás hidrogênio (H₂). Embora seja visto como uma promessa de energia limpa, eventuais vazamentos em dutos e tanques geram reações químicas que reduzem a disponibilidade de moléculas essenciais para a limpeza atmosférica, contribuindo de forma indireta para o aquecimento global.
Fonte: Agência Brasil - EBC










