Parceria entre CDHU e Sabesp marca etapa decisiva para moradores que vivem sem saneamento básico desde 2013
A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) autorizou nesta segunda-feira (18) a implantação de redes de água e esgoto na área conhecida como Guaianases M, na zona leste de São Paulo. A medida representa um avanço concreto no processo de regularização fundiária de uma área de 64,7 mil m² ocupada desde 2013, que abriga cerca de 900 famílias.
As obras serão realizadas por meio de parceria com a Sabesp e garantirão o acesso formal ao saneamento básico para os moradores, que convivem há mais de uma década com as dificuldades impostas pela ausência de infraestrutura. Com a autorização, cumpre-se uma etapa fundamental para que a CDHU possa instaurar o processo de Regularização Fundiária Urbana (Reurb) e, ao final, emitir a Certidão de Regularização Fundiária (CRF), documento que confere segurança jurídica aos moradores.
Na terça-feira (19), famílias da região participaram de uma reunião com representantes da CDHU, da Sabesp e da Subprefeitura de Guaianases, onde foram apresentadas as etapas do projeto e esclarecidas dúvidas sobre as obras previstas. “Esse passo representa a chegada de um futuro melhor, porque a gente sofre muito sem redes de água e esgoto”, disse o líder comunitário Rogério Soares, de 39 anos.
Os impactos da falta de saneamento são sentidos no cotidiano das famílias, especialmente nos períodos de chuva. Emerson da Silva, de 39 anos, carpinteiro que mora no local há seis anos com a esposa e cinco filhos, relatou que “nós sofremos bastante quando chove, porque tudo fica com lama. É muito difícil”. Para ele, a regularização representa mais do que infraestrutura: “Ter nossas casas regularizadas é um passo importante para termos mais dignidade”.
Iraci Medrado, 66 anos, mora na área desde 2014, quando deixou um imóvel alugado no centro de Guaianases. “Quando cheguei, era só mato ao redor da minha casa. Foi muito sufoco. Estou muito feliz de ver que as coisas estão mudando. Finalmente vamos conseguir ter água e rede de esgoto”, contou a dona de casa.
O terreno está inserido em um programa mais amplo da CDHU, que em 2024 lançou o Edital de Chamamento Público 003/2024, um modelo inovador que permite aos próprios moradores liderar o processo de regularização, com orientação e supervisão do Estado. O edital prevê a regularização de 51 terrenos públicos ocupados, totalizando 2,87 milhões de m² e beneficiando aproximadamente 33 mil famílias — sendo cerca de 7 mil em áreas de risco alto ou muito alto. Para participar, os moradores interessados devem se organizar em associações sem fins lucrativos e apresentar um plano de trabalho à Companhia.











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