A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os desafios enfrentados pelos eleitores no transporte público geraram forte debate na Câmara Municipal de São Paulo, durante a fase de comunicados de lideranças realizada na terça-feira (27/10).
Manifestações sobre o resultado e a democracia
Parlamentares subiram à tribuna para repercutir o pleito que definiu o rumo do país para os próximos quatro anos. Para o vereador Celso Giannazi (PSOL), os “ares da democracia do nosso país continuam”.
“Nós vivemos em um regime democrático e a população decidiu pela continuidade da democracia do nosso país. O presidente Luís Inácio Lula da Silva foi reeleito para o seu quarto mandato, algo inédito na nossa democracia”, disse Giannazi.
Polêmica em torno da frota de ônibus
O parlamentar do PSOL também pontuou que moradores de diversas localidades sofreram com falhas no transporte público e apontou que “desrespeitaram uma determinação do Supremo Tribunal Federal, que decidiu em 2023 na ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 1013, que os municípios deveriam colocar nas ruas, nos dias de votação, a frota compatível com os dias úteis”.
A discussão ganhou força com o posicionamento da vereadora Renata Falzoni (PSB), que apontou dados sobre a capital paulista. Segundo ela, a justificativa da Prefeitura foi de que “não houve tempo hábil para mobilizar a frota de ônibus”. “Um levantamento preliminar mostra que somente entre 60% e 65% da frota estava operando. Algumas empresas, como a Sambaíba, dos 1.231 veículos, 545 estavam estacionados na garagem”.
Falzoni enfatizou que a data exigia maior rigor operacional: “Não era um domingo qualquer, era de votação. E votar é um direito e um dever de todo cidadão. A Prefeitura tinha obrigações legais de garantir a frota completa. A SPTrans alegou que colocar a frota completa seria um ‘gasto desnecessário’. Até o momento, eu não vi uma justificativa plausível.”
O presidente da Comissão de Trânsito, Transporte, Mobilidade Urbana e Atividade Econômica, vereador Nabil Bonduki (PT), destacou que o colegiado já havia enviado um ofício à Secretaria Municipal de Mobilidade e Transporte em 15 de outubro para alertar sobre a obrigatoriedade da frota total no segundo turno.
Apesar dos transtornos relatados, Bonduki pontuou o desempenho eleitoral na capital: “43 das 57 zonas eleitorais o Lula ganhou. Isso aconteceu em uma parte do centro expandido e em praticamente toda periferia. O resultado mostra como a cidade de São Paulo teve uma votação massiva, apesar do problema do transporte público”.
Defesa da gestão municipal
Em contrapartida, o líder do governo na Casa, vereador Fabio Riva (MDB), refutou as acusações contra a administração local. Riva garantiu que o prefeito Ricardo Nunes (MDB) “jamais mandou reduzir a quantidade de ônibus. Cumpridor de determinações judiciais, tão logo recebeu a informação do Tribunal Regional Eleitoral, encaminhou à SPTrans que as empresas teriam que colocar a frota completa no domingo”.
O parlamentar emedebista acrescentou que o sindicato confirmou o recebimento da ordem e avaliou que o serviço prestado foi adequado. “Sem dúvida nenhuma, a cidade e os paulistanos tiveram a possibilidade de votar. Esse assunto merece muito mais cautela do que trazer para uma questão política. A cidade de São Paulo deu a sua opinião nas urnas e, efetivamente, agora é hora de nós voltarmos a pensar na cidade, no trabalhador”, declarou.
O vereador Marcelo Messias (MDB) corroborou a defesa da gestão e afirmou que em “24 de outubro, o secretário notificou as empresas de transporte público para disponibilizar 100% da frota”. Messias pontuou ainda que “o número de ônibus colocados na cidade para domingo foi superior ao do 1° turno”. “Eu mesmo andei em alguns pontos da cidade, gravei vídeos e percebi que não tinha fila nos pontos de ônibus. As pessoas não foram prejudicadas. Entendo que o processo eleitoral não foi prejudicado, porque foram expandidas duas horas para a votação. A democracia foi concretizada”, concluiu.
Clima no plenário e próximos passos
A condução dos trabalhos ficou a cargo da vereadora Janaina Paschoal (PP), que definiu o clima da sessão como “relativamente tenso e emocionado”. “A Casa, como qualquer casa política, e, de certa forma, qualquer instituição que reflita o país, está dividida. Houve quem subiu à tribuna feliz para comemorar e houve quem subiu para se defender”, avaliou.
Com o encerramento dos debates sobre as urnas, a parlamentar lembrou que a rotina legislativa segue normalmente, com a análise de propostas do Executivo e dos parlamentares prevista para a próxima quarta-feira (28/10), às 15h, com transmissão oficial pelos canais da Câmara Municipal de São Paulo.
Fonte: CMSP










