Julho marca o início do período decisivo para o varejo — e ainda há tempo para reorganizar a rota
Todo começo de julho traz a mesma sensação: o tempo passou mais rápido do que o planejado. É quase como olhar para um relógio e perceber que os ponteiros avançaram enquanto a atenção estava voltada para outros compromissos. Para quem vive o varejo, essa percepção é ainda mais intensa. A rotina é exigente, os problemas aparecem todos os dias e as urgências da operação costumam engolir o que deveria ser estratégico. Muitos empresários chegam ao segundo semestre tentando organizar um planejamento que deveria ter começado meses antes.
Se você está nessa situação, saiba que não está sozinho. Conversando com empresários de diferentes segmentos, percebo que essa é uma realidade bastante comum. O desafio é que o calendário não espera ninguém. Julho marca o início de um período decisivo. É quando começam os preparativos para as grandes campanhas de vendas: Black Friday, Natal e todas as ações que movimentam o varejo nos últimos meses do ano.
Em 2026, o cenário ganha ingredientes adicionais. O segundo semestre arranca com uma Copa do Mundo em andamento, um evento que altera hábitos de consumo, concentra atenção e muda o ritmo de compras em diversos setores. Logo adiante, chegará o período eleitoral, que também influencia decisões e exige leitura atenta do comportamento do consumidor. Empresários que não considerarem esses fatores no planejamento correm o risco de serem surpreendidos pelo próprio calendário.
A organização faz toda a diferença nesses momentos, especialmente na gestão. Revisar números, planejar o caixa, ajustar processos e preparar a equipe se tornam tarefas inegociáveis. O ideal seria chegar a julho com tudo estruturado, mas a realidade do empresário brasileiro raramente permite esse cenário.
A boa notícia é que ainda há tempo para reorganizar a rota. Planejamento não é um documento engavetado, mas um processo contínuo de ajuste. Quem para para revisar estratégias consegue recuperar o controle da operação.
Quem entende que gestão é um exercício permanente não chega ao final do ano torcendo. Chega porque trabalhou para isso.

Por Marcelo Dória
Presidente da CDL São Mateus,
CEO do Depósito da Lingerie e Professor de Pós-Graduação em Varejo – FGV











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