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Home Artigos

Setembro Amarelo: cuidar também é perceber, acolher e agir

11 de setembro de 2026
em Artigos, Itaquera e Região, Saúde, Um mundo bem melhor, Zona Leste
Reading Time: 5 mins read
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Setembro Amarelo: cuidar também é perceber, acolher e agir
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por Priscila Carvalho – CRP 06/193419 Psicóloga | Neuropsicóloga | Psicanalista | Especialista em Psicossomática, Psicogerontologia, Terapia ABA e Saúde Mental Corporativa | Host Desenvolve Leste com Saúde Mental Instagram: psi.pcarvalho

Setembro chega trazendo a cor amarela, mas também um convite que deveria permanecer durante o ano inteiro: olhar para as pessoas com mais atenção. Nem sempre quem precisa de ajuda consegue pedir. Por isso, escutar sem julgamentos e incentivar a busca por ajuda profissional pode fazer toda a diferença.

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O que é o Setembro Amarelo

O dia 10 de setembro marca o Dia Internacional da Campanha Setembro Amarelo, período dedicado à conscientização sobre saúde mental, valorização da vida e prevenção do suicídio. Mais do que falar sobre situações extremas, a campanha convida a sociedade a conversar sobre algo frequentemente adiado: o sofrimento emocional.

Nem sempre quem está sofrendo demonstra isso abertamente. Às vezes, a pessoa continua trabalhando, cuidando dos filhos, respondendo mensagens, sorrindo e dizendo “estou bem” — mas, por dentro, enfrenta uma batalha silenciosa. É por isso que informação, escuta e rede de apoio são tão importantes.

Nem todo sofrimento emocional é visível

Um dos maiores desafios ao falar de saúde mental é entender que o sofrimento nem sempre aparece de forma evidente. “Nem sempre a pessoa está chorando ou demonstra tristeza. Algumas ficam mais quietas, outras ficam irritadas, algumas se afastam, outras mergulham ainda mais no trabalho, mas, de certo modo, todas apresentam algum sinal diferente do habitual”, destaca a psicóloga.

Entre os sinais de sofrimento emocional que merecem atenção, principalmente quando persistem, estão: tristeza ou desânimo constantes, perda de interesse por atividades que antes davam prazer, isolamento social, irritabilidade, cansaço persistente, alterações no sono e no apetite, dificuldade de concentração, queda de rendimento, sensação de inutilidade ou culpa, abandono dos cuidados pessoais e falas recorrentes de que “nada faz sentido”.

Um sinal isolado não significa necessariamente depressão ou outro transtorno mental — o diagnóstico cabe a profissionais habilitados. Mas esses sinais podem indicar que algo mudou e merece ser observado com cuidado, complementa a psicóloga.

“Mas ele sempre foi assim…”

Essa frase é comum entre familiares: “ela é mais fechada mesmo”, “ele sempre foi estressado”, “ela não gosta de conversar”. Pode até ser verdade. Por isso, mais importante do que comparar a pessoa a um padrão ideal é observar mudanças em relação ao comportamento habitual dela. Alguém comunicativo que passa a evitar conversas, ou uma pessoa cuidadosa que negligencia a própria rotina, pode estar sinalizando que algo não vai bem — o que não significa diagnosticar, mas prestar atenção.

Saúde mental em todas as idades

Crianças, adolescentes, adultos e idosos podem vivenciar sofrimento emocional, cada faixa etária de um jeito diferente. Nas crianças, o sofrimento pode aparecer por irritabilidade, dificuldades escolares ou queixas físicas recorrentes. Nos adolescentes, por afastamento da família, queda no desempenho escolar e isolamento social. Nos adultos, por exaustão, perda de produtividade e sensação persistente de sobrecarga.

Nos idosos, o cuidado precisa ser redobrado: tristeza persistente, isolamento e mudanças na rotina muitas vezes são vistos apenas como “coisas da idade” — mas não precisam ser. Envelhecer não significa deixar de ter saúde emocional, e idosos também precisam ser escutados e, quando necessário, acompanhados por profissionais especializados.

Como oferecer apoio de verdade

Frases como “pensa positivo” ou “tem gente enfrentando coisa pior”, mesmo ditas com boa intenção, podem fazer a pessoa sentir que seu sofrimento está sendo minimizado. Uma abordagem mais acolhedora pode ser simples: “eu percebi que você não está como antes, quer conversar?” ou “como você está de verdade?”. Não é preciso ter respostas prontas — é preciso estar disponível para ouvir.

Ouvir não significa resolver tudo sozinho. Um familiar, amigo ou colega não precisa substituir um psicólogo ou psiquiatra; o papel da rede de apoio é acolher, acompanhar e ajudar a pessoa a chegar ao cuidado adequado — por meio de psicólogos, psiquiatras, Unidades Básicas de Saúde, CAPS ou outros serviços da rede pública ou privada.

Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Ainda existe preconceito em relação à saúde mental, e muita gente acredita que deveria “dar conta de tudo sozinha”. Cuidar da saúde emocional é uma atitude de responsabilidade consigo mesmo, assim como se cuida da saúde física.

Saúde mental no ambiente de trabalho e a NR-1

Passamos boa parte da vida trabalhando, e por isso não é possível falar de saúde mental sem falar do ambiente corporativo. Sobrecarga constante, jornadas desgastantes, falta de autonomia, assédio e ausência de reconhecimento podem se transformar em fatores de desgaste emocional.

A atualização da NR-1 trouxe uma mudança relevante no cenário brasileiro: os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho passaram a integrar formalmente o gerenciamento de riscos ocupacionais, incluindo aspectos ligados à organização do trabalho, como sobrecarga e assédio. Isso significa que a saúde mental passou a fazer parte também da saúde e segurança do trabalho.

“A NR-1 não significa que a empresa precisa simplesmente contratar um psicólogo e oferecer atendimento individual aos funcionários”, esclarece a psicóloga. A lógica é mais ampla: é preciso avaliar como estão as demandas, as relações de trabalho, se existe sobrecarga ou assédio, se há clareza de papéis e espaço para o trabalhador comunicar problemas. “A proposta é sair de uma cultura que só reage quando alguém já está adoecido e avançar para uma lógica de prevenção e gerenciamento de riscos”, completa.

Investir em saúde mental corporativa é investir em prevenção

Assim como na família, também no ambiente corporativo é preciso aprender a perceber mudanças: um funcionário que se isola, faltas frequentes, queda de produtividade ou aumento de conflitos podem indicar que algo na organização do trabalho precisa ser investigado — sem que isso sirva para rotular ninguém.

A saúde mental corporativa não deve aparecer apenas em momentos de crise. Ela pode envolver avaliação de riscos psicossociais, pesquisas de clima organizacional, capacitação de gestores, canais seguros de escuta, prevenção ao assédio e ações contínuas de educação em saúde mental. Não basta uma palestra motivacional uma vez por ano: a NR-1 reforça que a organização do trabalho deve ser considerada de forma permanente na gestão de riscos.

Um ambiente saudável não significa um ambiente sem cobrança — toda empresa precisa de metas e resultados. O problema surge quando a cobrança ultrapassa limites razoáveis e passa a envolver humilhação, ameaças ou sobrecarga persistente. A questão não é eliminar a pressão natural do trabalho, mas gerenciar riscos e construir relações profissionais mais saudáveis.

Setembro Amarelo precisa continuar em outubro

“Não adianta falar sobre saúde mental durante um mês e esquecer o assunto no restante do ano. Precisamos continuar perguntando, ouvindo, orientando, investindo, procurando ajuda seja na família, na escola, nas empresas, nos serviços de saúde ou nas relações de amizade”, destaca a psicóloga.

Onde buscar ajuda

Quem enfrenta sofrimento emocional importante não precisa esperar chegar ao limite para procurar ajuda. Na rede pública, a UBS e os CAPS são portas de acesso ao cuidado em saúde mental. Para apoio emocional imediato e sigiloso, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, todos os dias, além de chat e e-mail

https://www.cvv.org.br

.

CVV – Centro de Valorização da Vida Telefone: 188 (gratuito) Atendimento: 24 horas, todos os dias Site: www.cvv.org.br

Em situação de emergência ou risco imediato, procure UPA, pronto-socorro ou SAMU (192).

Talvez alguém perto de você esteja precisando ser ouvido. Neste Setembro Amarelo, o convite é simples: observe mais, pergunte mais, julgue menos e escute de verdade. Cuidar da saúde mental é responsabilidade de todos, e pedir ajuda é uma forma de cuidado, não de fraqueza.

Contato: Priscila Carvalho – Psicóloga e Neuropsicóloga | Instagram: psi.pcarvalho

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