O Instituto Butantan preparou uma programação especial voltada para o
protagonismo feminino
na ciência durante a 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que ocorre entre os dias 29 e 31 de outubro. Vinculado à Secretaria de Estado da Saúde (SES) de São Paulo, o órgão promove cafés científicos, oficinas e mostras interativas para destacar a trajetória de pesquisadoras que moldaram a instituição.
A ciência é delas Coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a SNCT adota neste ano o tema “Ciência Delas”. O projeto no Butantan busca combater o apagamento histórico das mulheres nos laboratórios e incentivar novas gerações a seguirem carreiras científicas. Levantamentos recentes da instituição apontam que as cientistas lideraram 67% dos artigos publicados exclusivamente por pesquisadores locais entre 2018 e 2024.
“Participando desde a primeira Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, este ano a programação do Instituto Butantan destaca a presença das mulheres nas suas várias áreas de atuação (divulgação, produção e pesquisa) desde os primeiros anos da instituição. Para nós, o evento é uma oportunidade de discutir ciência com a sociedade de forma ampla e participativa, trazendo a população para mais perto e mostrando a relevância das instituições públicas de saúde para o dia a dia”, destaca Suzana Fernandes Gouveia, diretora do Centro de Desenvolvimento Cultural do Instituto Butantan.
Cafés científicos e debates públicos O Paiol do Parque da Ciência sediará três encontros abertos ao público. As conversas abordarão desde a fabricação de soros e vacinas para o Sistema Único de Saúde (SUS) até a preservação da memória institucional e os desafios de liderança enfrentados por gestoras e cientistas.
“A trajetória do Instituto Butantan tem a marca de muitas mulheres: pesquisadoras, técnicas, educadoras e tantas outras profissionais que dedicaram suas carreiras à saúde pública brasileira. Na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, queremos que o público conheça essas trajetórias e veja de perto a ciência que elas fazem hoje. Esperamos que essas histórias inspirem todo o público e que cada menina, jovem ou mulher que participar das atividades se reconheça nelas”, afirma Adriana Aparecida Andrade Chagas, supervisora cultural do Instituto Butantan.
Resgate histórico e acervos O papel dos arquivos na preservação das biografias femininas também será debatido. Especialistas apontam que a escassez de registros sobre cientistas do passado decorre de restrições históricas de acesso a cargos de poder e de vieses nas seleções documentais.
“A representatividade reduzida de acervos de cientistas mulheres decorre historicamente do acesso restrito a cargos de poder e dos vieses na seleção documental das instituições de memória. Para combater esse apagamento e promover a reparação histórica, os centros de memória devem adotar ações assertivas, que vão desde a aquisição de novos fundos e a reindexação técnica de documentos, revelando nomes femininos antes ocultos sob a autoria masculina, até a produção de história oral, o fomento à pesquisa acadêmica e a difusão científica por meio de exposições”, afirma Juliana Cabral da Silva, historiadora e analista de documentação do Instituto Butantan.
Atividades para toda a família Os museus do complexo paulista oferecerão visitas mediadas, exibições sobre figuras históricas como Fanny Hesse e Marie Curie, além de oficinas práticas voltadas para crianças e adolescentes. A programação completa abrange dezenas de vagas gratuitas distribuídas por ordem de chegada ou inscrição prévia na recepção dos espaços.
Fonte: Agência SP










