Riscos psicossociais não poderão mais ser tratados como secundários e passam a exigir gestão estruturada nas organizações
Por Vanessa Sousa
Conflitos internos, alta rotatividade, líderes sobrecarregados e equipes desengajadas estão prestes a deixar de ser apenas desafios operacionais para representar risco direto para o negócio.
Prevista para entrar em vigor em maio deste ano, a norma NR-1 marca uma mudança relevante na forma como as empresas conduzem sua gestão. Mais do que cumprir exigências legais, será necessário estruturar liderança e cultura organizacional de forma consistente, transformando fatores como clima, comportamento e relações internas em elementos mensuráveis e gerenciáveis.
O QUE MUDA NA PRÁTICA
A atualização da NR-1 amplia a responsabilidade das empresas sobre fatores que antes eram tratados de forma indireta. Entre os principais pontos de atenção estão: gestão de riscos psicossociais, impacto do ambiente organizacional na saúde dos colaboradores, necessidade de monitoramento contínuo, integração entre áreas como RH, Segurança do Trabalho e liderança. Na prática, isso exige uma gestão mais estruturada e menos reativa.
PROBLEMA QUE NÃO SE VÊ
Segundo especialistas no assunto, muitas organizações ainda atuam tratando os sintomas, sem enfrentar as causas estruturais dos problemas internos. Os sinais mais comuns incluem conflitos recorrentes entre equipes, alta rotatividade, baixo engajamento, sobrecarga de lideranças e ambientes emocionalmente desgastados. Com a NR-1, esses fatores deixam de ser invisíveis e passam a exigir gestão ativa.
CAMINHO INTEGRADO PARA ADEQUAÇÃO
Para o doutor em qualidade nas empresas, Ademar Galelli, sócio-diretor da Whoop! Evolução Empresarial e Pessoal, a mudança exige uma revisão profunda da forma como as empresas operam. “A NR-1 não cria novos problemas dentro das empresas. Ela torna visível aquilo que já existe. Quando falamos de riscos psicossociais, estamos falando de liderança, de ambiente e de cultura. E isso não se resolve com documento, se resolve com gestão estruturada.”
Já Silvana Hübner Guedes, doutora em administração, mentora integrativa e sócia do doutor Ademar Galelli, destaca o impacto direto sobre a maturidade da gestão. “Norma não se sustenta sem cultura e cultura não se sustenta sem uma liderança consciente. As empresas que entenderem isso não estarão apenas em conformidade, estarão mais preparadas para crescer com consistência.”
Ambos desenvolvem um trabalho que assessora empresas e integra diagnóstico, estratégia, execução e apoia áreas como RH, Engenharia e Medicina do Trabalho na gestão contínua dos riscos psicossociais. Para eles, o grande desafio não está apenas em entender a norma, mas em transformar informação em prática e dados em evidência para a tomada de decisão.
Outro ponto importante são as parcerias. Junto da Incrementta Solutions e Somos IVY eles potencializam o entendimento da norma, a leitura dos dados e promovem as adequações necessárias. “É isso que sustentará a gestão no curto, médio e longo prazo”, destacam Ademar Galelli e Silvana Guedes.
Os doutores finalizam dizendo que, em um cenário onde crescimento sustentável depende cada vez mais da qualidade das relações internas, a liderança deixa de ser apenas um conceito e passa a ser um fator crítico de desempenho, risco e competitividade.

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