Os temporais que atingiram o território paulista entre a noite de sábado e este domingo provocaram ao menos duas mortes e geraram transtornos em pelo menos 24 municípios. O cenário mais grave ocorreu em Jundiaí, onde duas mulheres faleceram após serem arrastadas pela correnteza ao tentarem atravessar um córrego no bairro Casa Branca.
Alerta laranja e monitoramento intensificado
Diante do quadro meteorológico adverso e do risco permanente de novas pancadas, a Defesa Civil estadual colocou todo o território paulista sob alerta laranja. A atenção é redobrada na faixa leste, abrangendo a Região Metropolitana de São Paulo, a Baixada Santista, o Litoral Norte e o Vale do Ribeira.
Para gerenciar as ações emergenciais e a resposta rápida aos municípios, o Gabinete Especial da Operação El Niño foi mobilizado presencialmente no Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). Até o início da tarde, os órgãos de proteção haviam disparado 32 alertas preventivos para diversas regiões, divididos entre mensagens por SMS e disparos via Cell Broadcast.
Os maiores acumulados de precipitação foram registrados nas cidades de Jaú (120 mm), Itapetininga (110 mm), Rio Claro (96 mm) e Amparo (90 mm). A SP Águas acompanha a vazão das bacias hidrográficas e indicou que três pontos estão em nível crítico de alerta: Diadema, Mauá e Taboão da Serra.
Danos registrados na capital, Grande SP e interior
O Corpo de Bombeiros atendeu dezenas de ocorrências na Grande São Paulo e na capital, incluindo 22 quedas de árvores, dez inundações e quatro registros de soterramentos ou desabamentos estruturais, como nos bairros paulistanos de Perus e Sacomã.
Estruturas e residências sofreram impactos em diferentes partes do estado:
- Caieiras e Franco da Rocha: vias urbanas ficaram submersas, com afundamento de pistas e deslizamentos em encostas.
- Cajamar: cinco residências foram alagadas e uma cratera se abriu no distrito de Polvilho após o rompimento de uma adutora.
- Monte Mor e Itupeva: transbordamentos dos rios Capivari e Jundiaí invadiram trechos urbanos.
- Itapetininga: o transbordamento do Ribeirão dos Cavalos inundou casas, deixando duas pessoas desabrigadas.
- Apiaí e Borebi: deslizamentos e cheias forçaram a retirada preventiva de famílias, encaminhadas para assistência social ou abrigo temporário.
- Botucatu e Guaimbê: ventanias provocaram quedas de dezenas de árvores, rompimento de fiação e destelhamentos parciais.
Rodovias bloqueadas e impactos no transporte sobre trilhos
A força das águas comprometeu o tráfego em importantes corredores rodoviários estaduais. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) confirmou interdição total nos seguintes trechos:
- SP-332 (Rodovia Presidente Tancredo Neves): km 35,5, em Caieiras, por alagamento de pista.
- SP-129 (Rodovia Vicente de Palma): km 25,5, em Tatuí, devido à queda de árvore de grande porte.
- SP-316 (Rodovia Constante Peruchi): km 172, em Santa Gertrudes, devido à inundação.
- SP-304: interrupção preventiva de segurança na Serra de Santa Maria, entre os kms 227 e 240.
- SP-255 e SP-281: interdições completas nos municípios de Itaporanga e região em função da subida do Rio Vermelho.
Outras sete vias funcionam de maneira restrita com operação pare e siga, como a Rodovia Oswaldo Cruz (SP-125), que teve deslizamentos de encostas entre os kms 37 e 41, em São Luís do Paraitinga, e a SP-050, em Monteiro Lobato. Alagamentos pontuais na Rodovia Anhanguera (SP-330) e na SP-342 foram drenados e os trechos liberados ao trânsito.
O transporte ferroviário metropolitano também foi afetado durante o pico do temporal. A circulação na Linha 7-Rubi precisou ser suspensa por cerca de quatro horas entre as estações Botujuru e Campo Limpo Paulista, exigindo a operação de ônibus do sistema PAESE. Já a Linha 9-Esmeralda teve trechos em via singela durante a manhã, mas regularizou totalmente as operações.
Fonte: Agência SP










