O público paulistano tem a oportunidade de conferir gratuitamente exibições exclusivas da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo dentro do campus da capital. Em sua histórica 50ª edição, a consagrada celebração cinematográfica — fundada em 1977 por Leon Cakoff para marcar o aniversário do Masp — descentraliza parte de suas atrações e leva cinco longas-metragens internacionais para a sala do Cinema da USP Paulo Emilio (Cinusp) entre os dias 26 e 30 de outubro.
Integração com a comunidade e democratização do cinema
A presença da programação no circuito universitário reforça a aproximação entre a academia e a sociedade civil. De acordo com Thiago de André, coordenador do Cinusp, a parceria viabiliza o intercâmbio com espectadores de diferentes regiões da capital.
“Para o Cinusp, é interessante participar de grandes mostras e festivais da cidade, na medida em que eles, devido a seu histórico de sucesso e boa divulgação, conseguem atrair público externo para conhecer a nossa sala, na Cidade Universitária. E também ajuda a posicionar a USP como um polo cultural da cidade”, afirma o coordenador.
A curadoria exibida no espaço universitário foi estruturada pela própria equipe do festival. “A decisão levou em conta, entre outras coisas, filmes que poderiam ser exibidos gratuitamente – que não são todos”, relata André.
Retrospectiva europeia e títulos em cartaz
O cronograma do Cinusp contempla quatro obras de origem portuguesa e uma produção sueca. O único trabalho fora do universo lusófono é Doggerland (2026), projeto exibido no prestigiado Festival de Berlim. A narrativa foca em Alf, um homem que se aproxima dos 40 anos enquanto divide a residência com a mãe dominadora na Suécia. Sua rotina muda ao conseguir uma turnê europeia apresentando números de diabolô — malabarismo circense com carretel cônico —, provocando uma relutância inesperada na dinâmica familiar.
O restante da grade homenageia o realizador português Paulo Branco, classificado pelo coordenador do cinema universitário como “talvez o maior produtor independente da Europa”. A lista inclui dois clássicos assinados pelo consagrado diretor Manoel de Oliveira: Francisca (1981), adaptação do romance Fanny Owen, ambientada em meados do século 19, e Vou Para Casa (2001), drama que retrata a tragédia de um ator veterano que perde familiares vitimados por um acidente automobilístico em Paris.
A seleção traz ainda O Barqueiro (2026), dirigido por Simão Cayatte, que acompanha a saga de um ex-detento clandestino no rio Tejo para presentear a filha com um piano. Finalizando a mostra, será exibido o épico Mistérios de Lisboa (2010), clássico de 266 minutos dirigido por Raúl Ruiz, inspirado no romance de Camilo Castelo Branco.
Serviço e sessões no campus
As projeções acontecem no Centro Cultural Camargo Guarnieri, localizado na Rua do Anfiteatro, 109, na Cidade Universitária. Os filmes começam tradicionalmente às 19h, de segunda a sexta-feira. A exceção é a exibição de Mistérios de Lisboa, agendada para as 16h em razão de suas 4 horas e 26 minutos de extensão.
Thiago de André pontua o impacto transformador da experiência na tela grande: “O cinema ainda é uma oportunidade única de entrar sensorialmente em uma outra realidade, confrontá-la durante e depois com a nossa própria realidade e, a partir daí, se tornar uma nova pessoa, um pouco diferente.”
Fonte: Agência SP










